quarta-feira, 8 de julho de 2009

Prisão

Os gatos já não vivem em casotas.

Os peixes já não vivem em aquários,

Nem tão pouco os pássaros sobrevivem em gaiolas.

Eu já não respiro sem AR,

Não amo sem MAR

Não rio sem TERRA.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Romeu

"Entrei e já sabia o que ia acontecer. Não estava, de todo, à espera de um Romeu. O meu coração batia de uma forma tão forte, tão rápida, que a minha respiração tornou-se insuficiente para me manter viva. Eras tu quem eu queria, quem me fazia ter cada arrepio de desejo.
Quando as tuas mãos tocaram os meus lábios eu soube que tinha perdido o jogo. Não havia volta a dar. Não era da suavidade que estava à espera mas sim do desejo avassalador que me mostraste. Não sabia o que fazer. Tornei-me marioneta e deixei-me levar.
Agarraste-me com toda a tua força no mesmo instante em que perdi a minha. Roubaste-a de mim e ainda assim não te censuro.
Beijaste-me com a paixão que não sabia que tinhas, talvez com uma pontada de medo que desconhecia que pudesses sentir. Afinal sempre és humano.
Sonhei contigo, com aquele sentimento que me mantinha viva e tu realizaste esse sonho.
Não foste meigo nem gentil. Não era uma boneca de porcelana para ti, sou uma mulher. Não me deixes fugir."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Chegada a casa

"Já chego tarde. As sandálias de salto alto são a primeira coisa a sair para não acordar os vizinhos. Depois o casaco. A noite torna-se mais quente a cada dia que passa; ainda sim, não parece Verão.
Deixo o top preto, que me acompanha de vez em quando nestas noites em que me quero sentir mais sexy, a repousar no chão do quarto.
Limpo a parca maquilhagem: só gloss e rímel, nada mais. As calças já se perderam pelo caminho até ao chuveiro.
Penduro o sutian e a tanga no cesto, ligo a água e deixo correr.
Sei o percurso de cada uma das gotas.
Saio depois de vários minutos de mentalização de que o gás está para acabar.
O meu rasto perlonga-se até ao quarto.
Já sequei o cabelo, vesti a camisa de dormir vermelha e deitei-me. Vou sonhar, já nada importa.

Ele deixou-me."

terça-feira, 30 de junho de 2009

Magnetismo

"Não te tenho mas ao mesmo tempo já não vivo sem te ter.
Ao som da tua voz, o meu corpo vibra, vira instrumento musical e é tocado ao teu compasso.
Torna-se impossível a sanidade comum quando te aproximas. Tens esse efeito em mim. Tu sabes. Não posso mais esconder no que me tornas porque eu própria não consigo conter a minha felicidade quando me abraças ou sorris para mim.
Pareçe que voltei aos tempos de criança que se achava conhecedora de grande parte dos sentimentos humanos e me apaixonava por ti em cada dia, mesmo que tu nem soubesses o meu nome.
No primeiro dia em que falámos, parecia um sonho tornado realidade. Ainda que a nossa história tivesse começado no tempo errado, era impossível conter esta onda, esta maré de emoções que assolavam até mesmo quando só passavamos horas a fazer caretas um ao outro.
Parte da magia residia na nossa estranha relação mantida secretamente, visível aos olhos de todos.
Era inegável. A atracção residia na teoria do magnetismo, os opostos atraem-se."

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Manhã

O sol brilha lá fora. São horas de acordar.
Não me apetece nada. E se ficasse mais dois minutos na cama?
A mãe vai-se chatear comigo.
Consigo ouvi-la, os seus passos a percorrerem a casa. Apressada tenta acordar de novo a minha irmã.
Só mais um minuto...

"LEONOR!"

Pronto, foi o toque final.Arrasto-me para a casa-de-banho cheia de vapor. A mãe queixa-se da humidade e olha para o tecto como se isso pudesse alterar a mancha escura que começa a surgir. Não me preocupo muito.

Ai! Alguém está a mexer na água! Aposto que é a minha irmã! Argh, que frio.
E agora, o que vestir?
"Demasiado rosa, demasiado decotado, demasiado farfalhudo" e a este ritmo, a pilha de roupa amontoava-se em cima da cama.

"LEONOR!"
UPS, já estou atrasada!

Enfio toda a roupa, à pressa, no armário. Pode ser que a mãe não note. Acho que calçei as meias do avesso.
Se me despachar ainda consigo ir buscar aquele livro à biblioteca antes que desapareça outra vez.
Enquanto divago sobre a literatura francesa ouço o apitar do carro.

Ai! Onde estão os meus óculos?
Que stress. Vou perguntar ao professor de Biologia se há alguma coisa para convencer a minha mãe a relaxar de manhã. Era uma grande ajuda.

"LEONOR!"
"Já vou mãe, já vou."